sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Daquilo que irá chegar.

Vivo um pouco da intensidade, (e porque não?) da rotina de cada dia e da certeza de que o amanhã será um grande e valioso mistério.
Me sinto como em meus primeiros posts. Alguém que sente ter muito a falar, mas não sabe exatamente o que quer dizer/escrever.
Deve ter relação áquilo que dizem sobre cultivar uma verdadeira essência.
Aguardemos os próximos episódios.
Obrigado pela leitura.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Ato médico

Deferia ser contra. Porque faço enfermagem. Se fizesse medicina, obvio; deveria ser a favor. Afinal não é o que acontece?!
Tento me distanciar do que faço e analisar a questão buscando a neutralidade. Vejo posicionamentos extremamente polarizados.
Eu fico pensando se em meio a esse embate fosse comprovado que algum lado estivesse certo. O lado errado abriria mão de seu posicionamento?
No meio em que estou, dizem que os médicos são centralizadores e individualistas. Do “outro lado” dizem que as outras profissões da área e da saúde querem assumir responsabilidades que não as competem, porque no fundo querem ser médicos. É o bem contra o mau. Só não me disseram de que lado estou.
Eu vejo ódio disseminado em meio a esse conflito. Mas uma parte (provavelmente muito ingênua) minha acredita no bem das pessoas. Torço para que essa irracionalidade escancarada seja filho abortado do amor daqueles que defendem suas profissões “com unhas e dentes”.
Pensando assim, talvez eu consiga ser otimista. Pensando assim, talvez eu comece a entender que esse sentimento una e não separe todos. Pensando assim, talvez eu entenda melhor as o efeito das loucuras do amor. Num âmbito profissional, obvio. Não me peçam para estender essa parte especifica da reflexão para outros setores; acho que não dou conta.
Essa loucura, como foi dito, beira a irracionalidade. E fazem ambos os lados falarem do paciente. E esquece-lo ao mesmo tempo.
Vou sobrevivendo em meio a esse caos, desejando, do fundo da minha alma, debates e aprofundamento do tema. De ambos os lados. De forma cordial e respeitosa. Seria possível (?)

Alguns anos atrás eu dizia que debates políticos eram meras burocracias e eternos faz de conta ou que não levavam a lugar algum, porque nenhum “dos lados” iria ceder. Hoje me pego desejando um pouco mais dessa burocracia.  Não para se chegar a uma nova conclusão. Mas numa tentativa de racionalizar o “irracionalizavel”. E me fazer não querer mais ficar alheio a tudo isso.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Esquizofrenia aguda

As vezes no rumo de casa me vejo obrigado a desviar do meu caminho. Sigo pelo centro da cidade, na esperança de que em meio a toneladas de cimento e restos mortais, eu tenha um ataque agudo de esquizofrenia.
E que "as vozes daqui de dentro" falem algo novo. E Extraordinário.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Machismo ou fetiche? Eis a questão

Caro leitor,
Ando aprendendo algo que todos, em teoria, dizem ter. Opinião. Confesso que gosto de assuntos polêmicos. Minha tendência em relação a eles é ficar em cima do muro. Mas sempre levo em conta os vários lados existentes entre eles. Quando tenho uma opinião formada, ela costuma a ser bem forte. E polemica. Já causei polemica ao falar disso uma vez. Causo de novo. Até porque hoje tive uma excelente reflexão a respeito desse assunto. E confesso, hoje tenho mais duvidas do que certezas ao opinar a respeito da “objetificação” das mulheres. Talvez a opinião de quem leia isso aqui possa abrir (mais) minha cabeça. Ou talvez eu abra a cabeça de alguém. Vamos lá:
A algum tempo atrás um escritor botou a mão entre as pernas da panicat Nicolle balls. Ele falou algo muito interessante a respeito daquela atitude inusitada e desrespeitosa:
-As mulheres não são objetos mas deveriam parar de se comportar como tal.

É preciso, em primeiro lugar, deixar claro que a fala dele não justifica qualquer atitude de violência sexual/estupro. Me sinto na obrigação de ressaltar que é impossível defender esse ponto de vista. Mas pelo menos em mim causou uma série de reflexões.
Vivemos em uma sociedade machista, isso é fato. Assim como ainda vivemos em uma sociedade racista. E preconceituosa. Faço uma analogia ao racismo até para provocar o leitor:

Não vivemos mais no tempo da escravidão. Mas existem historiadores que defendem que o negro foi um agente histórico, ativo da escravidão. A começar que negros da áfrica comercializavam prisioneiros de tribos rivais. O negro já tornava o outro negro escravo. E quando um negro era livre, a primeira coisa que ele fazia era comprar um escravo.

E com as mulheres é diferente? Esse é o grande questionamento desse texto.
Existem movimentos feministas diversos que lutam contra o machismo. A marcha das vadias é um deles. Tenho aprendido a admirar esse movimento.
Porém, eu acreditava que existem mulheres que, em contra partida, contribuem para manutenção do nosso machismo de cada dia. O tempo verbal da frase acima é importante. Explico: panicats, ringgirls e afins TALVEZ se prestem ao trabalho de se representarem meros objetos sexuais frente a televisão.
É o que grande parte da mídia coloca. Independente delas se colocarem nesse papel ou não, preciso deixar claro: elas podem fazer isso. Não sou ninguém para julgar e criminalizar as atitudes delas. Mas é preciso parar e pensar que esse papel, no mínimo, leva a interpretações errôneas de grande parte da sociedade que ainda não progrediu em termos de mentalidade tanto quanto na tecnologia.

Defendo as profissionais do sexo com unhas e dentes. Ando preferindo esse termo a dizer prostituta ou puta. Até porque existem homens e travestis que se prostituem. O termo profissionais incluem ambos gêneros. Sou contra a objetificação dessa parcela da população. Aprendo muito com elas em meu trabalho de conclusão de curso. Mas será que elas não se colocam no papel de meros objetos sexuais?  Acredito que não...

A representação social dos profissionais do sexo está mudando. Sei que existe uma nova tendência a realizarem fetiches de forma tranquila e segura ao cliente. Elas podem oferecer grande influencia no imaginário de quem requisita seus serviços. Propagadoras do fetiche e não do machismo e a gente nem saiba.
E nesse caso, talvez nem as panicats sejam agentes históricas de uma sociedade machista. Só sejam pessoas que estejam ali, semanalmente em frente a TV, exercitando o imaginário e os desejos sexuais de grande parcela da sociedade. Sinceramente, não sei o que pensar.

Afinal, o que é o fetiche? Ainda careço de fontes para opinar. O buraco é mais embaixo. E a única coisa que eu sei, é que hoje eu consegui abrir minha cabeça ainda mais para esse tema. Talvez tudo não passe de uma questão interpretativa. Pensemos a respeito! (:

sábado, 13 de julho de 2013

Drogas

As pessoas se alteram para serem algo que elas não são. E essa é uma as grandes hipocrisias da nossa sociedade.

domingo, 16 de junho de 2013

Vamos tomar banho?

O que fazemos durante o banho? Nos lavamos? Certeza disso? Melhor rever seus conceitos, leitor. Quando somos pequenos, muitas vezes odiamos tomar banho. Como no meu caso. Para isso muitas vezes éramos incentivados a levar brinquedos para o banho. E assim ao invés de nos lavarmos, passávamos o tempo inteiro no chuveiro brincando.  Passa a ser uma brincadeira ou uma espécie de terapia, ainda pequenos.
Crescemos. A puberdade chegou. E continuamos passando tempo no banho brincando. Com o nossos próprios brinquedos , é claro. Quando adolescentes, adoramos tomar banho. E gastamos muito tempo com isso... E ai vem uma outra característica importante do banho. O auto conhecimento. Começa na adolescência quando simulamos relacionamentos sérios com as pessoas mais desejadas do nosso mundo. Nesse exercício imaginativo, acabamos nos conhecendo melhor. Ainda bem.

Na vida adulta, o banho é momento de reflexão. Sem tantas brincadeiras assim. Refletimos sobre o trabalho, sobre nossa vida pessoal, sobre aquilo que fazemos diariamente. Dependendo do seu ritmo, o banho é o único momento em que temos para nós mesmos. Seu significado é muito forte. E bem saudável. Vale a observação: Profissionais da saúde recomendam as mulheres que façam o auto exame das mamas no banho. Isso, eu não poderia deixar de relatar.

A questão é que nesse mês, nossos banhos serão fundamentais para nossas vidas. Essa onda de protestos está tomando conta da cidade. Confesso que o fb nunca conseguiu ao mesmo tempo ser tão repetitivo e divertido. Saudades até do twitter. Mas esse mês em que dizem que o Brasil acordou, merece muita reflexão. Não estamos acostumados a grandes manifestações. Não temos a sensatez exata e o feelling* exato para nos expressarmos, mudarmos o mundo e não sermos ao mesmo tempo nem violentos, nem violentados. Talvez isso nem exista, mas acredito que temos muito o que aprender. Ainda não sabemos dosar nossa energia e criatividade para expressarmos nossa opinião. Não me dirijo somente a você,caro manifestador. Me dirijo também a polícia. Ou a quem não quer fazer parte disso. Não acredito em um culpado único das repressões violentas. Daria para divagar bastante a respeito do assunto. Eu precisaria de vários banhos para isso. Quem Le, também. Acho que meu sonho de mundo seriam protestos pacíficos a cada domingo, onde poderíamos levar crianças, cadeirantes e idosos, numa boa. Como um momento realmente de expressão, criatividade e lazer; sem perder a consciência critica e a responsabilidade pelos nossos atos. E claro, que sejamos ouvidos.

Confesso leitor, não sei em que posso colaborar para o desenrolar de tudo isso que sonho. Nem sei se o que penso de forma ideal é realmente o correto. Tudo que eu posso, na certeza que estarei colaborando com o progresso da sociedade, é apenas um pedido: Por favor, tomem mais banhos. Porque assim nós poderemos deixar essa cidade mais limpa. Assim como nosso país.

*Não sei que outra palavra eu poderia usar aqui. Mas sei que ela existe.


PS: sim, pensei no texto durante o banho!  ;D

sábado, 15 de junho de 2013

Manifestação

Sobre o protesto de hoje: Fico impressionado com a calma que eu tenho em meio a desespero e ao caos. Ajudei uma garota que tava surtando de desespero por não conseguir achar os amigos e sem comunicação. Tive que quase trocar de chip com ela em meio a correria. Sem perde-la, e me escondendo de toda confusão. E ainda por cima acalma-la.

Não sei quem começou o confronto, mas o comportamento da polícia estava exemplar até onde eu vi. Estava longe na hora do quebra quebra, mas tive que correr pra não me dar mau. Acho que houve exagero da população em primeiro lugar, se houve mesmo (como me falaram) um movimento a favor de impedir os torcedores de entrarem no estádio. O que realmente provocou o quebra quebra, acredito que nunca saberei. Mas a verdade é que hoje é um dia errado pra tudo e todos. Hoje a cidade nasceu errada. E vai adormecer errada. Essa chuva no final do dia comprova isso.

Brasília paga um preço caro por ser a capital do país. Toda sujeira política desse país vem pra cá. E hoje na esplanada tivemos uma belíssima demonstração de muito daquilo que realmente nos representa: Um povo que acorda para se manifestar tarde (como esse cara que aqui escreve), exageros, de todas as partes e uma festa grande para camuflar tudo. A noite deve ter mais festa. E eu vou. Assim como fui ver o jogo em casa após tudo isso. Eu repudio os extremos. Vou a festas, vou ver futebol, na certeza de que isso não pode me fazer fechar os olhos para a realidade cruel que estou inserido diariamente.


No fim, a garota que eu ajudei disse que eu sou a prova viva de que existem pessoas legais em Brasília. Sinceramente, adorei o elogio. Mas acredito que podemos ser muito mais do que isso.